
A trágica cidade onde vivo
Caminho sóbrio tombando entre postes sem iluminação. Piso no asfalto molhado e buracos famintos permanecem cheios de água. O vigia dorme. A criança agoniza sobre o papelão e sob jornais se protege da chuva que cai. O apito toca silencioso nos ouvidos dos operários que dormem nos ônibus sonhando com bife a cavalo, batatas fritas e a sobremesa. A cidade começa a arder sob nuvens carregadas. Não amanhece; a lua cheia não é de sangue, mas o sangue corre agitado com os passos cansados da mulher que vai à padaria. O menino caminha para escola e ouve, solitário, seu lamento…