Mostra exibe filmes produzidos por pessoas cegas e com baixa visão no Teatro Gebes Medeiros

Projeto Vozes Visuais apresenta curtas-metragens criados por alunos de oficina de audiovisual acessível realizada em Manaus
Mostra exibe filmes produzidos por pessoas cegas e com baixa visão no Teatro Gebes Medeiros

O Teatro Gebes Medeiros recebeu, na noite de quinta-feira (11/06), a Mostra de Resultados do projeto Vozes Visuais, iniciativa que promove a formação em cinema e produção audiovisual para pessoas cegas e com baixa visão. O evento reuniu público, participantes e realizadores para a exibição de seis curtas-metragens produzidos ao longo da oficina realizada na Biblioteca Braille do Amazonas.

Idealizado pela produtora cultural e psicóloga Keylla Gomes, o projeto propõe uma experiência audiovisual construída a partir da percepção sonora, da memória afetiva e das experiências sensoriais dos participantes. Ao longo da formação, 14 alunos tiveram contato com todas as etapas da produção cinematográfica, desde a criação de roteiros até a gravação e edição dos filmes.

Segundo Keylla Gomes, a proposta surgiu da necessidade de ampliar a participação de pessoas com deficiência visual nos processos de criação cultural.

“A gente fala muito sobre acessibilidade, mas normalmente pensa essas pessoas como público, como plateia. O Vozes Visuais propõe o contrário: coloca pessoas cegas e com baixa visão como protagonistas, como produtoras de cultura e agentes culturais. É uma metodologia que busca tornar o acesso à cultura um direito efetivamente compartilhado por todos”, destacou Keylla Gomes.

Durante as oficinas, os participantes utilizaram sons do cotidiano, vozes, objetos, silêncio e elementos da natureza para construir narrativas audiovisuais. A proposta buscou demonstrar que a linguagem cinematográfica também pode ser desenvolvida a partir de experiências não visuais, ampliando as possibilidades de expressão artística.

De acordo com a auxiliar de produção Antônia Barroso, o projeto apresenta uma proposta inovadora ao permitir que os próprios alunos conduzam os processos criativos e técnicos das produções.

“Foram realizadas oficinas de roteiro, gravação e edição. Eles produziram os filmes entre si, com o apoio da equipe e de recursos tecnológicos acessíveis. Participaram da escolha das cenas, da edição e das trilhas sonoras. O resultado mostra como essas ferramentas ampliam possibilidades e ajudam a construir novas formas de vivenciar o cinema”, afirmou Antônia Barroso.

Entre os participantes da formação, a expectativa pela estreia dos curtas foi marcada pelo sentimento de conquista. Para Sibele Alves, a experiência representou a oportunidade de explorar uma linguagem artística ainda pouco acessível para pessoas com deficiência visual.

“Foi uma experiência muito gratificante. Nós aprendemos a fazer roteiro, gravar e montar os filmes. Abriu novos horizontes e mostrou possibilidades que muitas vezes não imaginávamos. É uma iniciativa muito importante para a inclusão, porque nos permite participar de algo diferente e ocupar novos espaços”, ressaltou Sibele Alves.

Após a exibição dos curtas-metragens, o público participou ainda de uma roda de conversa com os realizadores, que compartilharam experiências, desafios e aprendizados vivenciados durante a formação.

A iniciativa abriu espaço para novas narrativas e para o protagonismo de realizadores que transformaram sons, memórias e experiências cotidianas em linguagem cinematográfica.


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