“Parintinada” abatida no curral do garantido

“Parintinada” abatida no curral do garantido

Ademir Ramos Pressionado pelos torpedos da “guerra cultural” e pelo impacto estimado no mercado de bens simbólicos, a direção do Boi Garantido, em respeito aos costumes e valores religiosos fundamentalistas, resolveu abater a toada “Parintina” de Chico da Silva e Mário Paulain, extraindo, em definitivo do seu álbum e de suas plataformas digitais, dando publicidade da condenação da obra e de seus autores tal como era feito nos tempos da inquisição. O movimento “guerra cultural” que iniciou nos Estados Unidos da América no anos 90, pautado nos conflitos morais como a questão do aborto, à posição da mulher na família…
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No meio da floresta, uma cidade e suas contradições

No meio da floresta, uma cidade e suas contradições

Situada na margem esquerda do Río Negro, Manaus vive a experiência nefasta das políticas de hecatombe bancadas pela elite e por uma direita irresponsável. A cidade foi construída sobre os cadáveres do povo Manaós. Do Forte de São José do Rio Negro, o cheiro de pólvora e do sangue indígena se misturavam ao refestelo dos soldados da corte portuguesa. Não faz muito tempo, uns caçadores de esqueletos violaram mais um cemitério indígena no centro de Manaus, numa praça honrosamente conhecida como praça das putas. E assim conseguem matar essa gente mais uma vez, desrespeitando suas crenças e mitos. Manaus foi…
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Anne Moura, o veneno e os bandeirantes do PT

Anne Moura, o veneno e os bandeirantes do PT

A política tem seu próprio movimento. É preciso dominá-lo para não deixar que ela te domine. A Anne Moura acabou de beber do veneno que ela ajudou a manipular em 2022, quando João Pedro foi escolhido por unanimidade para ser o vice de Eduardo Braga e a Gleisi Hoffmann, de uma só canetada, nomeou a Anne para compor a chapa com o cadeirudo, sem dar a mínima para a decisão dos petistas amazonenses. Agora, Anne Moura seria a candidata à prefeitura de Manaus pelo PT e pela federação, já que o acordo era de quem estivesse em melhor posição nas…
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Todos contra David Almeida?

Todos contra David Almeida?

Por Carlos Santiago*       Pré-candidaturas ao cargo de prefeito (a) de Manaus já foram lançadas com pompas por grupos políticos e existe a previsão de que novos pretendentes surgirão neste período de pré-campanha eleitoral. Então, quais seriam suas estratégias para inviabilizar a reeleição do prefeito David Almeida?      A política é uma guerra para conquistar poder, manter poder e ampliar poder, mas sem o uso de bombas, sem canhões e sem exército com armas de fogo. E é na democracia, no exercício da política, que eleições são também arenas para aplicações de estratégias de disputa pelo poder. Neste ano, o maior cargo…
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José de Paiva Filho, um comunista da Amazônia

José de Paiva Filho, um comunista da Amazônia

"A vida dos velhos sistemas nasceu de imensas teias de aranha medievais… Teias de aranha mais duras do que os ferros das máquinas… No entanto, há gente que acredita numa mudança, que tem posto em prática a mudança, que tem feito triunfar a mudança, que tem feito florescer a mudança… Caramba!… A primavera é inexorável!" Os comunistas, Pablo Neruda Paivinha foi um comunista de inspiração poética. Não uma poesia qualquer, mas aquela criada das sarjetas, do gosto do tucumã, do suor do trabalhador da zona franca de Manaus, da sensualidade e intrepidez da mulher amazônica. José Paiva lutou para fazer…
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Ciência com consciência

Ciência com consciência

Por Carlos Santiago*      Quem detém o controle dos estudos e das descobertas científicas? Quem detém o mando do uso do saber científico? E quais as suas conexões sociais, políticas e econômicas? Os cientistas refletem sobre si, sobre os seus trabalhos e os resultados nas mortes de milhares pessoas e no clima do planeta? Essas e outras perguntas estão nas reflexões do sociólogo francês Edgar Morin.      Morin diz que vivemos numa época do progresso e triunfo do saber científico “com suas virtudes de verificação e de descoberta em relação a todos outros modos de conhecimentos”, sendo capaz…
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A direita e o bolsonarismo em Manaus

A direita e o bolsonarismo em Manaus

Ademir Ramos Na política, a direita e a esquerda tem várias caras. A questão recorrente é compreender e explicar o aceite do Bolsonaro nas urnas pela maioria dos eleitores da capital do Amazonas e com a mesma determinação buscar explicar também que nem toda direita é bolsonarista. O enunciado está posto. Cabe-nos desatar este nó de porco mostrando aos interlocutores que de imediato a direita se firma por suas práticas políticas perante as opções da esquerda. O divisor de água para se avaliar o posicionamento político dos atores é, sobretudo, a defesa encarniçada do mercado pelo mercado, contrariando a regulamentação,…
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O fundamentalismo religioso é uma ameaça à civilização

O fundamentalismo religioso é uma ameaça à civilização

Em mil anos de domínio da igreja católica na idade média não há precedente de tanta barbárie cometida. As formas de tortura não têm similar na história. Em nome de Deus e em nome do rei, a igreja sentenciou centenas de milhares de pessoas ao suplício e à morte. Espanha e Portugal mataram mais de 70 mil e autorizaram a mutilação de quase 300 mil pessoas. Aqui no Brasil, cerca de 370 novos cristãos foram enviados para o Tribunal do Santo Ofício em Portugal, para lá serem barbarizados e mortos. Em meio aos perseguidos pela Santa Inquisição: judeus, novos cristãos,…
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Importunação não é paquera

Importunação não é paquera

Tenho visto muitos homens reclamarem que não se pode mais paquerar. Que tudo agora é importunação sexual. Não me estranha um macho se escudar no deslimite para tentar confundir aquilo que é humano com a desumanidade da ação humana. A paquera está na sensibilidade de dois seres humanos que se consentem ao encantamento recíproco, como numa troca de olhares ou num sorriso tímido. Mas como fazer para reaprender a paquera sem importunar o outro? Se volte para as lendas de nossos povos ancestrais e passe a tratar a natureza como parte de uma história de amor em que nasce a…
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A trágica cidade onde vivo

A trágica cidade onde vivo

Caminho sóbrio tombando entre postes sem iluminação. Piso no asfalto molhado e buracos famintos permanecem cheios de água. O vigia dorme. A criança agoniza sobre o papelão e sob jornais se protege da chuva que cai. O apito toca silencioso nos ouvidos dos operários que dormem nos ônibus sonhando com bife a cavalo, batatas fritas e a sobremesa. A cidade começa a arder sob nuvens carregadas. Não amanhece; a lua cheia não é de sangue, mas o sangue corre agitado com os passos cansados da mulher que vai à padaria. O menino caminha para escola e ouve, solitário, seu lamento…
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